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Responsabilidade Social - Importância das Florestas Plantadas para o Brasil

Parte integrante (capítulo 4) do
Anuário Estatístico ABRAF 2010 - Ano Base 2009
Disponível na íntegra na área de Estatísticas

4.7 Programas de Responsabilidade Social e Ambiental

A responsabilidade social e ambiental é atualmente uma característica indispensável do comportamento das organizações perante a sociedade e o mercado. A busca contínua, por parte das empresas do setor florestal, em se adequar e se posicionar favoravelmente em relação às questões sócio‑ambientais e às exigências dos consumidores por produtos que reflitam tal conscientização, leva à promoção de programas de responsabilidade social, gerando produtos em ambientes socialmente justos, economicamente viáveis e ecologicamente corretos, isto é, sustentáveis.

Nesse sentido, as empresas associadas da ABRAF, assim como outras empresas do setor florestal no Brasil, têm investido cada vez mais em programas de responsabilidade social e ambiental. A seguir, são descritos projetos relativos a programas de fomento florestal, e programas sociais, de saúde, meio ambiente, e educação, promovidos pelas empresas associadas da ABRAF durante o ano de 2009, em continuidade aos anos anteriores.

4.7.1 Fomento Florestal

O fomento florestal vem sendo adotado por muitas empresas, como uma forma de complementar suas necessidades de suprimento de madeira originada de áreas com florestas plantadas, a partir do estabelecimento de parcerias com pequenos e médios proprietários de terras, nas regiões onde estas empresas desenvolvem seus negócios.

Simultaneamente, o fomento florestal permite promover a expansão da base florestal das empresas, auxiliando o desenvolvimento regional.
Para o pequeno e médio produtor, o fomento é uma oportunidade de renda, principal ou adicional, com a garantia de compra da madeira através de contratos de compra e venda de madeira com as empresas promotoras do programa de fomento, de boa rentabilidade e baixo risco, já que na maioria dos casos a empresa absorve parte dos custos iniciais, com a doação de mudas, insumos e assistência técnica. Do ponto de vista social, o fomento atua como uma ferramenta que melhora a distribuição de renda e auxilia na fixação do homem no campo, gerando empregos de caráter permanente, devido ao tempo de rotação das florestas, além de injetar recursos nas economias dos municípios envolvidos.

Com base na Tabela 4.10 observa‑se que, em 2009, as associadas individuais da ABRAF efetuaram 1.020 novos contratos de fomento florestal, que beneficiaram 911 pessoas e envolveram 26,4 mil hectares. No acumulado até 2009, as associadas individuais da ABRAF totalizam 25.663 beneficiários com programas de fomento florestal, através de 27.453 contratos, com uma área total de 457,0 mil hectares.

Tabela 4.10 Resultados do fomento florestal contratado com as empresas associadas da ABRAF (2009)

Tipo Número de Beneficiários Número de Contratos Área (mil ha)
Acumulado até 2009¹ 25.663 27.453 457,0
Novos Contratos (2009) 911 1.020 26,4
Fonte: Associadas da ABRAF (2010), adaptado por STCP.
¹Inclusive 2009.

O Gráfico 4.06 apresenta a evolução dos contratos de fomento das empresas associadas da ABRAF entre 2005‑2009.

Grafico 4.06
Gráfico 4.06 Evolução do número de contratados, beneficiários e área plantada nos programas de fomento
das associadas da ABRAF – novos (em cada respectivo ano) e acumulado (até 31 dezembro do respectivo ano)

Fonte: Associadas da ABRAF (2010), adaptado por STCP.

Do total das áreas de florestas plantadas com eucalipto e pinus das associadas individuais da ABRAF (2.760.380 ha acumulados até 2009), a área acumulada de fomento (456.700 ha) contratada por estas representa aproximadamente 17%.

4.7.2 Programas Sociais

Os investimentos relacionados aos programas sociais realizados pelas empresas associadas da ABRAF totalizaram, em 2009, a soma de R$ 61,6 milhões, com uma queda de 6% frente aos investimentos destinados para este propósito em 2008. O número de municípios atendidos pelos associados foi reduzido em 40% no período de análise, passando de 993 em 2008 para 597 em 2009. Por outro lado, o número de pessoas atendidas em programas sociais vinculados às associadas individuais da ABRAF aumentou aproximadamente 9% em 2009. A Tabela 4.11 evidencia os principais resultados dos programas sociais promovidos pelas associadas da ABRAF entre 2005 e 2009.

Tabela 4.11 Resultados dos programas sociais promovidos pelas empresas associadas da ABRAF (2005‑2009)

Ano Número de Pessoas Atendidas Número de Municípios Atendidos Investimento (R$ mil)
2005 652.827 579 36.334
2006 1.088.457 742 76.264
2007 1.567.244 704 77.764
2008 2.181.487 993 65.418
2009 2.373.613 597 61.639
Fonte: Associadas da ABRAF (2010), adaptado pela STCP.

4.7.3 Saúde

Os serviços disponibilizados pelas empresas associadas da ABRAF aos seus funcionários, através de programas de assistência médica e odontológica, estendendo‑se às comunidades locais, são apresentados na Tabela 4.12. Em 2009 os investimentos em programas de saúde contabilizaram R$ 25,1 milhões, chegando a 330,9 mil beneficiários em 68 municípios. Com relação aos indicadores de 2009 em relação a 2008, tem‑se aumento de 9% no número de beneficiários, ou seja de 27.400 pessoas e de R$ 861 mil em investimentos em programas saúde, com apenas 4% na redução do número de municípios.

Tabela 4.12 Resultados dos programas de saúde realizados pelas empresas associadas da ABRAF (2005‑2009)

Ano Número de Beneficiários (mil) Número de Municípios Atendidos Investimento (R$ mil)
2005 63,0 137 7.311
2006 364,0 100 23.636
2007 204,8 59 21.578
2008 303,4 75 24.206
2009 330,9 68 25.067
Fonte: Associadas da ABRAF (2010), adaptado pela STCP.

4.7.4 Meio Ambiente

As empresas associadas da ABRAF são responsáveis por investimentos voltados à promoção de vários programas de proteção ao meio ambiente e conservação dos recursos naturais nas regiões onde atuam. Tais programas envolvem e mobilizam as comunidades vizinhas na preservação da biodiversidade nas regiões onde as empresas atuam.

O total investido, por essas empresas, em programas ambientais foi 5% inferior em 2009 em relação ao ano anterior, ainda assim totalizando o montante de R$ 14,5 milhões (2009) e beneficiando 1,5 milhão de pessoas em 151 municípios (vide Tabela 4.13).

Tabela 4.13 Resultados dos programas ambientais realizados pelas empresas associadas da ABRAF (2005‑2009)

Ano Número de Beneficiários (mil) Número de Municípios Atendidos Investimento (R$ mil)
2005 167,3 98 11.156
2006 131,2 232 26.912
2007 209,9 191 30.904
2008 1.547,9 351 15.197
2009 1.474,6 151 14.492
Fonte: Associadas da ABRAF (2010), adaptado pela STCP.

4.7.5 Educação e Cultura

Programas de inclusão social dos funcionários e de seus dependentes, estendendo‑se às comunidades vizinhas onde as empresas desenvolvem suas atividades, são parte das responsabilidades com a sociedade que os associados da ABRAF assumem anualmente. Estes programas consistem em ações de melhorias na educação escolar, no combate ao analfabetismo e no incentivo à cultura das comunidades adjacentes.

Para tal, são realizados investimentos por parte das empresas, que prezam por fornecer os meios para que estas medidas sejam implementadas de maneira eficaz, através do fornecimento de materiais e doação de equipamentos às escolas, da promoção de bolsas de estudo aos filhos de funcionários, entre outras medidas inovadoras.

O histórico de investimentos aplicados em educação e cultura nos últimos cinco anos pelas empresas associadas da ABRAF está apresentado na Tabela 4.14.

Tabela 4.14 Resultados dos programas educacionais e culturais realizados pelas empresas associadas da ABRAF (2005‑2009)

Ano Pessoas Atendidas (mil) Número de Municípios Investimento (R$ mil)
2005 397,4 296 14.615
2006 308,9 273 20.454
2007 1.136,7 319 21.162
2008 292,4 381 21.392
2009 395,7 233 14.050
Fonte: Associadas da ABRAF (2010), adaptado pela STCP.

Observa‑se que, em 2009, as associadas da ABRAF investiram aproximados R$ 14 milhões em programas educacionais e culturais. Com esse montante foi possível atender 395,7 mil pessoas em um total de 233 municípios.

4.7.6 Produção Florestal Não Madeireira

Apesar da importância histórica dos produtos florestais não madeireiros (PFNM), seja no suprimento das necessidades humanas (alimentação), fibras e objetos diversos, ou na fabricação de medicamentos, somente nos últimos anos estes produtos tem tido maior reconhecimento. Tal fato se deve principalmente à publicação de estudos que, cada vez mais, demonstram o potencial econômico‑social das atividades relacionadas com a coleta e produção de PFNM.

Os PFNM são definidos como todo material vegetal, com exceção a qualquer material lenhoso, obtido das florestas e classificado como produto florestal. Estes, apesar de amplamente divulgados pela mídia quando explorados nas florestais nativas, também são encontrados em grande quantidade nas florestas plantadas, na forma de resinas, óleos, mel (como no caso do eucalipto), cascas para paisagismo, borracha da seringueira, tanino de acácia, entre outros.

Como muitos desses produtos não constam nas estatísticas oficiais, a tendência é que sua importância econômica supere os dados oficiais.

Muitas das atividades baseadas na extração dos PFNM são associadas a pequenas comunidades ou a pequenos produtores, caracterizando‑se mais como cultura tradicional do que como atividade econômica. Para transformar tais culturas em atividades econômicas efetivas, pequenos produtores se unem muitas vezes de forma associativa em cooperativas a fim de ganhar uma posição de maior destaque no mercado. Outra situação que se observa é o apoio de grandes empresas a tais culturas, levando investimentos a estes produtores sob forma de programas sociais e incentivando o extrativismo vegetal sustentado. Nestes casos, em boa parte das vezes os PFNM são beneficiados e transformados em produtos de maior valor agregado, apoiando‑se na causa social subjacente a todo o processo.

Por outro lado, algumas empresas de maior porte têm investido na extração dos PFNM, considerados “subprodutos” em florestas voltadas à extração de madeira.

Por último, há florestas plantadas cujos produtos principais são os próprios PFNM, como é o caso dos cultivos de acácia negra voltados especialmente à extração do tanino das cascas da árvore para curtumes ou do cultivo da seringueira na produção da borracha.

A Tabela 4.15 apresenta o histórico de investimentos dos últimos cinco anos na produção de PFNM por parte das empresas associadas da ABRAF. Em 2009 foram investidos cerca de R$ 94,2 mil na produção dos PFNM, beneficiando 1.760 pessoas em 61 municípios. Os investimentos neste segmento, em 2009, foram 74% menores que em 2008, conforme é possível observar na Tabela 4.15.

Tabela 4.15 Resultados da produção de PFNM nas áreas das empresas associadas da ABRAF (2005‑2009)

Ano Número de Beneficiários Número de Municípios Atendidos Investimento (R$ mil)
2005 1.310 35 353,8
2006 1.342 30 71,8
2007 3.448 80 336,9
2008 6.499 87 356,8
2009 1.760 61 94,2
Fonte: Associadas da ABRAF (2010), adaptado pela STCP.