Pronunciamento do Exmo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
A força que nenhuma grande nação pode deixar de lado é a de antever um futuro melhor – e trabalhar no presente para que ele se torne uma realidade, e não apenas um sonho longínquo.
Sabemos qual o Brasil que queremos ser – e é este País que estamos construindo, a passos firmes e apesar das dificuldades que encontramos.
Estamos muito mais seguros e otimistas, portanto, para seguir no processo de mudanças no nosso País. Vamos continuar avançando nesse árduo trabalho de reconstrução.
Temos dedicado a esse processo o máximo da nossa paciência e firmeza. E, graças a Deus, a cada dia os bons resultados vão aparecendo para o nosso País e para a grande maioria do nosso povo.
Minhas senhoras e meus senhores,
Hoje aqui nos estamos construindo parte do nosso futuro – um futuro que renasce no verde das nossas florestas.
Temos, como poucos países, espaço, clima e solo favoráveis para o desenvolvimento sustentado da agricultura e da produção florestal.
Temos também – o que é ainda mais importante – a cultura, a tecnologia e a vontade para transformar essas vantagens comparativas em um modo sustentado de geração e distribuição de riqueza.
É por isso que investimos em programas como o do biodisel, que extrairá de nossas oleaginosas um substituto limpo para os derivados de petróleo.
E é por isso também que damos tanta importância ao plantio de florestas – a base das cadeias produtivas de diferentes setores exportadores.
Como bem foi mostrado aqui, seja no papel e celulose, seja na fabricação de chapas de madeira processada, na movelaria ou em tantas outras atividades, a floresta plantada é responsável por 4% do nosso PIB.
Sua balança comercial é positiva em mais de US$ 5 bilhões de dólares, o que representa 1 em cada 6 dólares de nosso superávit comercial no ano de 2004.
Minhas amigas e meus amigos,
Se os produtores florestais tem essa importância para o nosso país, é porque em algum momento de nossa história soubemos planejar o futuro e alocar recursos para um investimento que, como todos sabem, só traz retorno após vários anos de maturação.
As primeiras plantações de árvores específicas para a indústria nasceram desta visão há mais de cem anos.
Da mesma forma, as primeiras fábricas de papel tiveram apoio de governantes que pensavam o futuro. E a grande expansão do setor contou, a partir dos anos 50, com o apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social.
Infelizmente, esta capacidade foi parcialmente comprometida nos anos 90, e ainda estamos sentindo os efeitos de não termos plantado tantas árvores quanto eram necessárias.
Alguns setores, especialmente o de madeiras processadas, estão precisando importar a matéria-prima de países vizinhos – o que é um enorme paradoxo para um País como o nosso, que ainda não aproveitou seus enormes potenciais para o plantio.
É este quadro que estamos conseguindo e vamos reverter.
Criamos, em 2003, o Programa Nacional de Florestas.
Coordenado pela pasta do Meio Ambiente e integrando vários ministérios e órgãos federais, esse Programa conseguiu ao mesmo tempo reduzir a burocracia para o setor, incentivar o plantio e ainda proteger as nossas matas nativas.
Como bem disse a companheira Marina, nossa Ministra do Meio Ambiente, hoje não é mais necessária a emissão, pelo seu Ministério, de uma licença para comercializar as árvores plantadas.
Já encaminhamos ao Congresso Nacional um importante projeto de lei que regula a gestão de florestas públicas, cria um fundo de desenvolvimento florestal e o Serviço Florestal Brasileiro, para que o setor tenha um interlocutor único no governo.
O BNDES, por sua vez, já inclui nos seus projetos de financiamento para o setor de papel e celulose uma cláusula onde as indústrias se comprometem a fomentar a plantação de florestas pelos pequenos e médios produtores.
A assistência técnica chega a eles através dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura e o crédito ao pequeno e médio produtor pulou de R$ 2 milhões de reais em 2002 para R$ 50 milhões de reais em 2005.
Com o programa BB Florestal, do Banco do Brasil, que tivemos a oportunidade de ver lançado aqui, hoje, estamos dando mais um grande passo para mudar a cara da cadeia produtiva da madeira e transformá-la, cada vez mais, em uma oportunidade de inclusão social dos pequenos e médios produtores.
Meus senhores e minhas senhoras,
O resultado de todas estas nossas ações para o setor florestal – definidas com o objetivo de desenvolver sustentadamente o setor, sem recorrer aos subsídios comuns do passado – veio muito mais rápido do que imaginávamos.
Quando lançamos o Programa Nacional de Florestas, o Brasil plantava, anualmente, 320 mil hectares de madeira – e menos de 8% vinha de pequenas e médias propriedades.
À época, acreditávamos que iríamos romper a marca de 500 mil hectares por não apenas em 2007.
Pois bem , neste ano de 2005 a meta já está sendo superada: estamos plantando 520mil hectares. E mais de 19% disso vêm de pequenos produtores.
Quero, por isso, lançar hoje um novo desafio aos produtores e aos órgãos de governo envolvidos com a área: que em 2007, ao invés dos 500 mil hectares, passemos a plantar 600 mil hectares de madeira. E que, até lá, 30 % da produção venham das pequenas e médias propriedades.
Tenham a certeza de que esta nova meta não só é possível: ela é necessária para que possamos avançar cada vez mais – e sem sobressaltos – no mercado mundial.
Saibam, também, que da mesma forma que sempre apoiamos este setor tão estratégico, não pouparemos esforços para garantir o seu desenvolvimento.
Nós, que estamos há mais de 100 anos plantando florestas, merecemos cada vez mais políticas bem definidas para o setor.
Elas estão aí – vamos, portanto, avançar na construção do futuro verde do nosso Brasil.
Muito obrigado. |