Pronunciamento do Deputado Gervásio Silva
Este evento histórico que vivemos hoje , certamente ficará registrado na história econômica de nosso país como a celebração do centenário de uma atividade vencedora, que são as florestas plantadas no Brasil, integradas às indústrias de papel e celulose, siderurgia a carvão vegetal, painéis de madeira reconstituída, móveis e produtos sólidos de madeira.
Os números de 2004 de toda a cadeia de produção do setor de florestas plantadas testemunham a importância desse conjunto de atividades no cenário econômico nacional : 17, 5 bilhões de dólares movimentados, dos quais 5 bilhões exportados.
Os produtos oriundos de florestas plantadas só perdem para a soja na pauta de exportação do agronegócio brasileiro, gerando 500 mil empregos diretos e 2 milhões de empregos indiretos.
Hoje mais de 50 mil produtores rurais em mais de 500 municípios são também cultivadores de florestas plantadas, através dos programas de fomento florestal, que multiplicaram a atividade muito além das florestas de propriedade das grandes empresas do setor.
E aqui portanto cabe ressaltar que esse evento estará também registrado na história social de nosso país, pela capacidade da atividade de gerar emprego e renda, fixando as populações no campo, levando às comunidades rurais os benefícios da capacitação técnica, da assistência médica e da educação básica.
O Brasil é hoje o país onde as variedades de eucalipto e pinus, através de trabalhos de pesquisa e desenvolvimento, atingiram recordes de produtividade, por hectare ano, dando ao nosso país grande vantagem comparativa e competitiva nos mercados mundiais.
Esta comemoração escreve capítulo importante nas áreas de ciência e tecnologia do país, pelos expressivos saltos de produtividade obtidos com as variedades desenvolvidas tanto no pinus quanto no eucalipto nessas últimas décadas.
No entanto, apesar das vantagens comparativas e competitivas do setor de florestas plantadas do Brasil frente aos concorrentes internacionais, nossa presença do mercado mundial é muito acanhada : participamos com 3% diante de países como a Finlândia que, com área equivalente ao estado de Minas Gerais, participa com 8% do mercado mundial, ao lado também do Canadá que tem 16% do mercado internacional.
Cabe também lembrar que diante dos 5 milhões hectares de florestas plantadas atualmente existentes no país, o setor preserva, cuida e zela por mais de 1 milhão e seiscentos mil hectares de matas nativas, cumprindo com rigor os requisitos da legislação ambiental, e tornando o segmento um destaque, modelo e exemplo de preservação ambiental.
Fica aqui o registro de que, inúmeros experimentos e comprovações em todo o território nacional constataram de forma irrefutável que as culturas do eucalipto não causam danos ás áreas plantadas e não secam o solo, derrubando esses e outros mitos, que têm prejudicado a imagem dessa atividade pela desinformação e pelos mal entendidos gerados em diversos segmentos de nossa sociedade.
Cabe portanto assinalar que esse evento deixa também registrada página importante na história ambiental do país, pela oferta de madeira oriunda das florestas plantadas que impede a devastação de florestas nativas, pela regeneração de em áreas degradadas, pelos corredores ecológicos e pelos investimentos em espécies ameaçadas de extinção.
Todavia, ao lado de todas essas oportunidades que se abrem para as atividades do setor, há também ameaças no horizonte de curto e médio prazos : a taxa de plantio de florestas de eucalipto e pinus está abaixo do consumo crescente, gerando uma escassez que configura o chamado " apagão florestal ".
Os efeitos dessa escassez já provocam a elevação dos preços da madeira de florestas plantadas, já exercem pressão sobre as florestas nativas e já postergam ou até mesmo impedem a expansão das indústrias integradas às florestas plantadas pela incerteza das projeções de oferta futura da madeira.
Já ocorrem importações de países como a Argentina, que ao lado de países como o Uruguai, têm incentivado fortemente as florestas plantadas, mirando o crescente déficit no Brasil.
O Congresso Nacional, através dos representantes da população brasileira, e em especial pelos parlamentares integrantes da Frente Parlamentar da Silvicultura, da qual tenho a honra de ser o coordenador, a par de participar com satisfação e honra dessa celebração, reafirma seu apoio a todas as iniciativas do setor de florestas plantadas, todas elas relevantes no campo econômico, nas contribuições sociais e ambientais, no desenvolvimento de pesquisa e desenvolvimento tecnológicos e nos seus mais límpidos significados políticos, envolvendo mais de dois e meio milhões de brasileiros desse nosso imenso Brasil.
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